Bocalom engana-se ao dizer que está sendo perseguido politicamente.

Em uma matéria intitulada "Bocalom: a noiva que quer casar de burca" (ver), o Jornal Página 20 retorna ao tema sobre a dúvida que paira sobre a compra dos lotes de terras que Bocalom fez em Acrelândia, questionando que:

a) os lotes eram destinados a beneficiários da reforma agrária e, portanto, não poderiam ter sido adquiridos por funcionários públicos e;

b)  um dos lotes tem uma dívida superior a R$ 32 mil com o INCRA, o que impediria sua comercialização.

Ainda, o jornalista Tião Vitor afirma que o povo do Acre não teria convivência de longo tempo com o Bocalom: "Ele não cresceu por aqui, não conhecemos sua família, seus antepassados, seus parentes e aderentes. Não estou aqui defendendo o bairrismo, nada disso. Acredito que o acreano não é só aquele que nasce aqui, é também aquele que adota o Acre como seu Estado de coração. Mas não dá pra negar que realmente se sabe pouco sobre Tião Bocalom. Questioná-lo essas e tantas outras coisas é mais do que natural: é necessário".

Em relação aos lotes serem destinados à reforma agrária e não poderem ser comercializados para funcionários públicos, o jornalista omitiu que há um prazo de dez anos após o qual esta restrição legal perde sua eficácia, permitindo a comercialização. Portanto, no mínimo o jornalista vez uma análise incompleta. Quanto a comercialização dos lotes do INCRA, isto é um problema anacrônico que ultrapassa a dimensão de uma candidatura a prefeitura da capital e merece uma abordagem mais abrangente: o Estatuto da Terra, mesmo tendo sido uma legislação avançada à sua época, necessita de revisão. Mas deixarei esta questão para outro momento.

Sobre a existência de uma dívida em um dos lotes, acho curioso que alguma culpa venha a recair sobre o Bocalom, que estava no papel de comprador. No momento da escrituração de um imóvel, cabe ao vendedor apresentar os comprovantes de quitação de todos os débitos federais, estaduais e municipais, sem a qual não poderia haver a escrituração. Se houve omissão, foram dos órgãos públicos que emitiram alguma quitação não existente, do servidor notarial que omitiu a exigência dos documentos ou do vendedor, que também não apresentou sua quitação. Mas também essa questão será uma discussão de foro judicial, já que não é possível com base apenas nas informações existentes, identificar o responsável pelo dolo, se é que houve algum.

Quanto ao desconhecimento da vida privada e pública de Bocalom, um absurdo o que afirma o jornalista. Vim ao Acre pela primeira vez em 1984 e depois, retornei com minha esposa em 1999. A partir de 2001 passei a residir definitidamente no Acre e tive a oportunidade de conhecer o Bocalom como Secretário de Agricultura do Governo do Estado do Acre, na primeira gestão do governo Tião Viana. Depois, conheci por dois mandatos sua administração como prefeito da cidade de Acrelândia, neste momento, já como um líder da oposição.

Quando ele ainda era prefeito de Acrelândia, lembro-me de uma vez, na cooperativa de produtores -rurais de Acrelândia, ter-lhe dito que gostaria de vê-lo como governador do Estado do Acre, e desde aquela época acompanho sua trajetória política, colaborando no que é possível dentro de minha condição de cidadão com esse projeto.

Também acompanhei sua trajetória como candidato a governador do Estado do Acre e a prefeito de Rio Branco, nas eleições anteriores. E posso dizer sem sombra de dúvida: Bocalom é um profundo conhecedor dos problemas do estado do Acre e uma das poucas pessoas capazes de promover um novo arranjo de forças que avancem no sentido do crescimento econômico e da sustentabilidade social. Se há alguém capaz de lutar contra a miséria, o desemprego e melhorar a saúde e a educação, essa pessoa é Bocalom. E é por medidas afetivas que teremos que cobrar dele no futuro, não pelo fato de ter ou não nascido no Estado do Acre.

O jornalista ainda argumenta que "Bocalom tem de entender que sua condição de homem público requer transparência total. O eleitor quer saber quem é ele, o que faz, de onde vem, o que fez antes de chegar por aqui, se tem condições de fazer o que promete, se tem integridade moral e ética, ou mesmo se sua palavra condiz com as suas verdadeiras ações. Isso é normal! É natural! Não adianta espernear".

Em todo esse período, NUNCA ouvi uma única denúncia de que o Bocalom, em qualquer uma de suas administrações públicas, tenha participado ou praticado alguma espécie de superfaturamento de obras, tenha perseguido servidores públicos, tenha praticado qualquer espécie de crime ou dolo contra a administração pública, ou que tenha também envolvido de qualquer parente seu em qualquer espécie de atitude suspeita.

Talvez seja a ausência de informações dessa natureza que o jornalista considere "falta de transparência" e seria explicado porque os políticos com que ele convive diariamente devem ter um monte de fatos "transparentes" da "vida privada e pública" que seriam ótimos para serem usados como difamação pública. E contra o Bocalom não encontra nada.

Porque, os lotes de terra que foram objeto dessa discussão, são informações prestadas voluntariamente pelo próprio Bocalom em sua declaração à Justiça Eleitoral. Foi o próprio Bocalom quem enumerou e identificou os dez lotes e os apresentou à Justiça Eleitoral. Se o Bocalom não fosse transparente e tivesse como intenção esconder isso por meio de "contratos de gaveta" os teria feito facilmente, ou então, usar o nome de algum parente para ocultar seu patrimônio pessoal.

As pessoas costumam dizer, por exemplo, que a construtora do ex-governador Cameli seria favorecida em licitações. Mas todo mundo conhece o proprietário da construtora e se houver alguma irregularidade, não será um laranja que irá se apresentar como proprietário da construtora.

Também correm boatos de que outro ex-governador seria um dos sócios ocultos de uma grande distribuidora regional. Mas como investigar, se essas informações são sempre ocultas da Justiça Federal e da Receita Federal? Teria que ser feita uma grande investigação, recoletando informações bancárias, contratos, e outros dados, e ainda assim, com poucas chances de se identificar ou não a existência dessas relações comerciais. Mas isso são boatos que não podemos provar.

O que é transparente foi que Bocalom adquiriu os lotes; declarou em sua relação de bens patrimoniais e se houver qualquer dúvida sobre o direito a essas propriedades, os fatos são públicos e podem ser questionados na justiça à qualquer momento.

Também é transparente que não se conhece nenhum ato administrativo do Bocalom que o relacione a fraude, dolo ou crime de qualquer outra espécie contra a administração pública.

Enquanto que o candidato da Frente Popular foi administrador de umas das obras em rodovias federais citadas pela própria presidenta Dilma como exemplo de má gestão e fraude (ver). Uma obra cuja realidade não reflete o montante de recursos investidos (ver).

Mas Bocalom não está correto ao afirmar que está sendo perseguido politicamente.

A cada eleição, cresce na população e nas pessoas que com ele convivem, a admiração pelo sua postura, firmeza, convicções políticas, ética e valores morais. Politicamente, ele vem sendo cada vez mais admirado. O que ocorre são pessoas que estão "mamando nas tetas do estado" que não querem que Bocalom ganhe as eleições e acabe com suas regalias.

Se existem pessoas que estão sendo perseguidas politicamente, que estão sendo prejudicadas pelo poder político local, são aquelas que querem trabalhar com dignidade, são aquelas que ficam na fila do serviço médico para serem precariamente atendidas, são aquelas que ouvem promessas de emprego, de educação, de moradias dignas, de saúde de primeiro mundo, mas a cada eleição, vem que somente um grupinho acessa esses benefícios: os companheiros da Frente Popular.

E como os recursos são limitados e a ganância ilimitada: cada vez menos companheiros da Frente Popular são atendidos para que outros poucos possam ganhar sempre mais.

Por isso não tenho dúvidas ao afirmar que Bocalom engana-se ao dizer que está sendo perseguido politicamente. Ele está sim é ganhando novos amigos. Quem é perseguido politicamente é o povo do estado do Acre por essa política mesquinha e corrupta que foi implantada em nome do povo e da proteção ao meio ambiente.


Paulo Wadt



Nota: publiquei o link para essa discussão como comentário na versão on line do Jornal Página 20, as 11:55h do dia 05 de agosto de 2012, conforme imagem:



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