A agricultura e a seca nos Estados Unidos

Na Flórida, um clima quente e chove todo dia.

Muito diferente do restante do país que passa por uma das suas maiores secas nas últimas décadas, com resultados desastrosos para o agronegócio.

Aqui nos Estados Unidos o agronegócio é levado a sério. Sua importância ultrapassa as questões regionais e para se fazer um paralelo, o agronegócio está para os Estados Unidos assim como a exploração petrolífera está para o Oriente Médio. O desempenho de ambos afeta toda a economia mundial.

Nos estados localizados a noroeste do país, a rigorosa seca tem causado prejuízos para os produtores de gado, obrigando-os antecipar a venda de seus rebanhos devido a má qualidade das pastagens.

E a venda antecipada é feita com prejuízo para os produtores, uma vez que a oferta de gado para os frigoríficos tem sido maior que a demanda.

No cinturão dos grãos, a rigorosa seca também causou graves prejuízos aos produtores de grãos, especialmente para o milho. Neste caso, a menor oferta fez os preços aumentarem.

Além da queda da produção de milho, aqui nos Estados Unidos este cereal também é utilizado para a produção de etanol, para ser misturado à gasolina. E como esta mistura é obrigatória,  a produção de milho para alimentos acaba concorrendo com a produção de combustível.

Um cenário catastrófico para os avicultores de estados como Carolina do Norte, que possui a maior produção de aves do pais. O aumento do preço do milho tem causado forte impacto no custo das rações para as aves, resultando em aumento generalizado dos preços.

E para tornar a situação ainda mais agravante, o rio Mississipi que se constitui no principal meio de navegação para grande volume de cargas, saindo do interior do país para o Golfo do México, também está com nível de suas águas muito abaixo do normal.

Causando problemas para o transporte de cargas e, ainda, um problema ambiental curioso: migração de águas salinas do Golfo do México para o interior do país (a água mais doce desce o rio em direção ao golfo, porém os sais conseguem migrar em direção oposta, afetando a água subterrânea).

E para piorar a situação, com o final do verão chega o outono e depois o inverno, onde novamente a produção agrícola é interrompida.

Acredito ser necessário refletir sobre essa situação. Não só do ponto de vista ambiental ou das mudanças climáticas, mas do papel que o Brasil poderá ter no futuro se decidir ter um liíder mundial na produção de produtos agrícolas.

Em várias regiões do Brasil temos excelentes condições para a produção agrícola na maior parte do tempo, o que representa uma vantagem competitiva muito importante.


Paulo Wadt

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Tempos aúreos?

O rei, o PIB e o salário mínimo