A república cidadã
Li o texto (A república do ego) três vezes.
Fiz as releituras para houvesse maior possibilidade de reflexão e assim compreender as colocações e pontos de vista do autor (Dr. Giordane Dourado).
A análise aparenta ser extremamente lógica e levou-me ao aceitar a tese sobre as causas da corrupção, pelo menos à principio, ao adotar as premissas apresentadas como verdadeiras.
Mas como minha visão política deste processo é diferente, e apesar de concordar com a quase totalidade das colocações feitas, tentei refletir sobre uma outra ótica.
No meu entendimento, a raiz do problema da corrupção está na fraqueza das instituições. E quando falo em fraqueza das instituições, não quero aqui separar as pessoas de uma instituição como um "ente" e a própria instituição como um segundo "ente". A instituição é o ente jurídico, impessoal, e as pessoas que nela atuam.
Acredito que seja em um sistema monárquico, parlamentarista, presidencialista, republicano ou socialista, haveria espaço para instituições fortes, comprometidas com os ideais que são citados como sendo republicanos, mas que bem poderiam serem aplicados a sociedades com outras formas de organização política. Temos exemplos, atuais, de corrupção ocorrendo em todos os sistemas de governo, como também, exemplos de sociedades mais equilibradas sob os mais variados sistemas políticos.
O que me preocupa, entretanto, são certas posturas atuais que não condizem com um sistema político equilibrado. Por exemplo: o Governo do Estado do Acre afirmando que o Ministério Público Estadual (MPE) estaria colocando em risco a construção da Cidade do Povo, quando na verdade, o MPE está apenas exigindo o comprimento dos estudos técnicos exigidos pela legislação.
Assim, enfraquece-se a instituição MPE e quem coloca em risco o empreendimento é o próprio Governo do Acre ao criar uma situação com certo grau de ilegalidade, além de atacar uma das principais funções exercidas pelo MPE, que é a defesa do interesse do bem público.
Acredito que as instituições precisam ser independentes e estarem cientes de seu papel na sociedade. Sou muito confiante quando olho para os últimos 40 anos e vejo como nossas instituições evoluíram, e o fizeram, principalmente, pela coragem das pessoas que nela atuam.
Aqui mesmo no Estado do Acre, temos um exemplo concreto: há mais de um ano, um grupo de três estudantes passou a opor-se a um desvio de recursos de bolsas de iniciação científica que ocorre no Campus Floresta da Universidade Federal do Acre. Estão sofrendo retaliações, coações e ameaças, mas não recuam em sua luta.
Mesmo sem perceberem o apoio da administração da Universidade, já que o principal suspeito é mantido como coordenador do programa que faz a distribuição das bolsas neste campus da Universidade, esses estudantes mantém a posição de exigir a exata averiguação dos fatos. Mesmo a comissão de sindicância local não tendo concluído as apurações à contento, mesmo seus colegas sofrendo represálias como forma de aumentar a pressão, persistem na luta contra a corrupção.
Eles vão aprender que vale a pena lutar por boas causas. Serão exemplos de pessoas que tiveram coragem e se opuseram aos desmandos de certas pessoas que se julgam intocáveis. Suas atitudes farão uma Universidade mais digna quando perceberem que a força está com eles.
Eles estão recorrendo as nossas instituições públicas, porque acreditam na Justiça. E as nossas instituições agirão com o rigor necessário. E eles serão formados como cidadãos melhores.
Portanto, discordando da conclusão do autor do artigo "A república do ego", confio que a corrupção somente se alastra porque aqueles que estão dentro das instituições públicas não se opõe a este tipo de prática. E para-se a opor a esta situação, não precisa ser o diretor, doutor em ciências ou qualquer outra autoridade. Basta a coragem destes estudantes. E o compromisso com as instituições cidadãs.
Paulo Wadt
Uma dica de leitura para quem quer realmente se aprofundar no tema, escrito por um filósofo da USP: Democracia petista, republicanismo tucano
Fiz as releituras para houvesse maior possibilidade de reflexão e assim compreender as colocações e pontos de vista do autor (Dr. Giordane Dourado).
A análise aparenta ser extremamente lógica e levou-me ao aceitar a tese sobre as causas da corrupção, pelo menos à principio, ao adotar as premissas apresentadas como verdadeiras.
Mas como minha visão política deste processo é diferente, e apesar de concordar com a quase totalidade das colocações feitas, tentei refletir sobre uma outra ótica.
No meu entendimento, a raiz do problema da corrupção está na fraqueza das instituições. E quando falo em fraqueza das instituições, não quero aqui separar as pessoas de uma instituição como um "ente" e a própria instituição como um segundo "ente". A instituição é o ente jurídico, impessoal, e as pessoas que nela atuam.
Acredito que seja em um sistema monárquico, parlamentarista, presidencialista, republicano ou socialista, haveria espaço para instituições fortes, comprometidas com os ideais que são citados como sendo republicanos, mas que bem poderiam serem aplicados a sociedades com outras formas de organização política. Temos exemplos, atuais, de corrupção ocorrendo em todos os sistemas de governo, como também, exemplos de sociedades mais equilibradas sob os mais variados sistemas políticos.
O que me preocupa, entretanto, são certas posturas atuais que não condizem com um sistema político equilibrado. Por exemplo: o Governo do Estado do Acre afirmando que o Ministério Público Estadual (MPE) estaria colocando em risco a construção da Cidade do Povo, quando na verdade, o MPE está apenas exigindo o comprimento dos estudos técnicos exigidos pela legislação.
Assim, enfraquece-se a instituição MPE e quem coloca em risco o empreendimento é o próprio Governo do Acre ao criar uma situação com certo grau de ilegalidade, além de atacar uma das principais funções exercidas pelo MPE, que é a defesa do interesse do bem público.
Acredito que as instituições precisam ser independentes e estarem cientes de seu papel na sociedade. Sou muito confiante quando olho para os últimos 40 anos e vejo como nossas instituições evoluíram, e o fizeram, principalmente, pela coragem das pessoas que nela atuam.
Aqui mesmo no Estado do Acre, temos um exemplo concreto: há mais de um ano, um grupo de três estudantes passou a opor-se a um desvio de recursos de bolsas de iniciação científica que ocorre no Campus Floresta da Universidade Federal do Acre. Estão sofrendo retaliações, coações e ameaças, mas não recuam em sua luta.
Mesmo sem perceberem o apoio da administração da Universidade, já que o principal suspeito é mantido como coordenador do programa que faz a distribuição das bolsas neste campus da Universidade, esses estudantes mantém a posição de exigir a exata averiguação dos fatos. Mesmo a comissão de sindicância local não tendo concluído as apurações à contento, mesmo seus colegas sofrendo represálias como forma de aumentar a pressão, persistem na luta contra a corrupção.
Eles vão aprender que vale a pena lutar por boas causas. Serão exemplos de pessoas que tiveram coragem e se opuseram aos desmandos de certas pessoas que se julgam intocáveis. Suas atitudes farão uma Universidade mais digna quando perceberem que a força está com eles.
Eles estão recorrendo as nossas instituições públicas, porque acreditam na Justiça. E as nossas instituições agirão com o rigor necessário. E eles serão formados como cidadãos melhores.
Portanto, discordando da conclusão do autor do artigo "A república do ego", confio que a corrupção somente se alastra porque aqueles que estão dentro das instituições públicas não se opõe a este tipo de prática. E para-se a opor a esta situação, não precisa ser o diretor, doutor em ciências ou qualquer outra autoridade. Basta a coragem destes estudantes. E o compromisso com as instituições cidadãs.
Paulo Wadt
Uma dica de leitura para quem quer realmente se aprofundar no tema, escrito por um filósofo da USP: Democracia petista, republicanismo tucano
Comentários
Postar um comentário