Os companheiros e os "demais"

Nossos amigos simpatizantes da Frente Popular gostam de falar que a oposição "não tem isto", a oposição "não tem aquilo", como se a oposição fosse um amontoado de gente sem propósitos, projetos ou boas intenções.

Tudo asneira.

A oposição hoje possui excelente quadros técnicos, muitos aliás, que abandonaram o apoio dado à Frente Popular há bastante tempo. Afinal, errar é humano; permanecer no erro que é burrice.


Também possui projetos sérios, mas que devem ser conduzidos sem o propósito de enriquecimento de uns poucos.

Por exemplo, o pré-candidato Bocalom já vem discutindo há algum tempo alguns projetos para o município de Rio Branco.

O principal será acabar com o desvio de dinheiro da saúde e da merenda escolar (exemplo o aluguel de um tomógrafo por um milhão de reais, quando seria mais viável o estado adquirir um com financiamento do BNDES).

Bocalom considera prioritário que os 57 postos de saúde funcionem com pelo menos um médico e um enfermeiro e que seja triplicado o número atual de agentes de saúde.

Provavelmente, em uma gestão da oposição na Prefeitura,  haverão greves, mas nenhum líder grevista será perseguido ou cooptado, pois o critério da negociação com todos os  setores da sociedade será a transparência e responsabilidade no trato da coisa pública.

Na área de educação, Bocalom considera prioritário ser implementado o transporte escolar para os alunos da zona rural. E isto vai impactar na mobilidade da população rural e também facilitar o transporte de produtos agrícolas.

Também na área de educação deve ser avaliada a questão do ensino integral para que os alunos se dediquem à cultura e ao esporte.

Sabe-se que será necessário melhorar a qualidade do transporte urbano e para isto, a proposta é atuar reorganizando as linhas e o fluxo de passageiros. Com impactos até mesmo na redução do custo das passagens.

Na questão do trânsito, como a cidade de Rio Branco não foi planejada, a solução passa por construir viadutos em pontos de estrangulamentos e utilizar a passagem escavada em cruzamentos.

Uma questão urgente, que é pouco compreendida pela população mas que pode trazer benefícios extraordinários, é a questão fundiária que é algo grave em Rio Branco.

Muitos loteamentos feitos por imobiliárias acabam trazendo problemas para a Prefeitura, e isso deve ser resolvido para garantir os títulos de propriedade aos moradores. Um novo governo deve trabalhar para aplicar a legislação mais moderna e completa, que é a adotada no Estado de São Paulo, que possui cidades com os melhores padrões de qualidade urbana.

E em ações como esta a Prefeitura certamente terá o apoio de órgãos estaduais, como o Ministério Público Estadual que pode colaborar na definição de ajuste de conduta para alguns empreendedores urbanos.

Um grande desafio será fortalecer o setor agropecuário, proporcionando maior incremento de tecnologias que viabilizem a produtividade e o aumento da margem de lucro.

A Prefeitura também deve trabalhar para deixar os ramais trafegáveis e incentivar a produção agrícola para garantir a instalação de agroindústrias.

Mas a dificuldade maior será dar confiança novamente para que hajam investimentos privados no setor agropecuário, o que pode a médio prazo resultar em enorme diferença e independência econômica de fração importante da população.

Em outras palavras, a Prefeitura criando condições para que o próprio setor privado possa gerar RENDA e EMPREGO.

E acredito que muitos simpatizantes da Frente Popular ficarão felizes com os novos rumos, pois a Prefeitura contará com a imprensa em seu papel de fiscalização e debate, resgatando para a mídia sua principal função, sem que esta seja manipulada ou coagida por causa de contratos de mídia.

Mas o mais importante, e talvez o ponto de menor percepção, estará no ponto de vista de como agir no trato da coisa pública. Tenho absoluta clareza que Bocalom  adorá posturas muito diferente dos gestores da Frente Popular: se houver alguma equipe ou técnico com um projeto viável, este projeto será apoiado independente da equipe ou técnico serem simpatizantes desta ou daquela ideologia político-partidária.

O que vai valer é a qualidade do projeto ou proposta, não a vinculação partidária de seus proponentes. Haverá debates, discussões e posições conflitantes, para que vença o melhor projeto.


E digo isto, porque o Bocalom é um social-democrata que acredita que política é a arte de  articular os elementos em conflito, e que conflitos são inerentes à própria natureza humana e portanto, deve ser tratado com naturalidade. Assim, não haverá os bons e os maus. Mas somente aqueles que defendem interesses e visões divergentes.

Precisamos refletir sobre as possibilidades que serão criadas a partir desta nova postura, que romperá com este processo de "inclusão" do modo de governar do que hoje se chama "Frente Popular" é que produz na sociedade a "exclusão" de todos os "demais".

Hoje, para o governo há aqueles que são "companheiros", e há os "demais". E os "demais" na época das eleições fazem parte da "oposição", noutras épocas são simplesmente ignorados.

Por isto, a mudança no modo de governar deverá trazer novas oportunidades e um novo patamar de cidadania, e precisamos estar preparados para ajudar a construir esta nova sociedade acreana.


Paulo Wadt

Comentários

  1. Sinceramente espero que essa mudança ocorra este ano porque não aguento mais essa politica chinfrim do PT.

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