Acre + 13: florestas estaduais do Mogno, Gregório e Liberdade

Em um dôssie publicado pelo Conselho Indigenista Missionário e apresentado à Rio + 20 (Cúpula dos Povos, Rio +20), faz-se uma severa crítica ao modelo de desenvolvimento sustentável adotado no Estado do Acre


Em um dos textos que compõe este dôssie, o professor Elder Andrade Paula de faz uma análise do que representa a apropriação privada das florestas públicas pela "economia verde" patrocinada pela Frente Popular no Estado do Acre, sob o título "Acre + 13: economia "esverdeada", vidas em florestas (em) cinzas".

Avaliando-se o texto e refletindo-se sobre alguns fatos que vivenciei, passo a ter uma noção mais exata da espoliação das florestas públicas, mas principalmente de como foram tratados com desrespeito os moradores das Florestas Estaduais do Rio Gregório, Mogno e Liberdade para se viabilizar o negócio de privatização da exploração madeireira nestas florestas.

Primeiro, com o propósito de proteger a floresta de atividades exploratórias ao longo do trecho das obras de afastamento da BR-364, entre os rios Acuráua e Liberdade, foram criadas as reservas estaduais do Rio Gregório, do Mogno e do Rio Liberdade, na porção oeste do município de Tarauacá.

Depois, técnicos do Instituto de Terras do Acre foram encarregados de realizar o levantamento de todos os moradores residentes ao longo do eixo da BR -364 e também daqueles que residiam nos rios que passavam por este trecho da rodovia que estava em obras para ser asfaltada.

Mas tarde, com o avanço das obras de asfaltamento da BR-364, os moradores ribeirinhos que viviam às margens dos rios Gregório, Tauarí,  Liberdade e outros, foram impedidos de transferir suas residências para o eixo da BR-364, o que levou a concentração de moradores em alguns pontos, como hoje se observa nas proximidades da ponte da BR-364 sobre o rio Liberdade, na divisa entre os municípios de Cruzeiro do Sul e Tarauacá.

Além disto, os antigos moradores em terras onde foram criadas as reservas estaduais estavam sendo procurados para realizar acordo para deixarem essas áreas, com oferta de indenização cujos valores monetários foram da ordem de cinco mil reais por família.

A grande maioria destes moradores, por serem famílias extremamente descapitalizadas, aceitam a indenização oferecida e foram residir nos bairros periféricos ou como ribeirinhos, a maioria nas margens do rio Tarauacá. Muitos poucos permaneceram. Hoje, estes antigos moradores vivem  em condições precárias na cidade de Tarauacá, a maioria estando desempregada.

Enquanto isto, a floresta estadual foi concedida para exploração madeireira por grandes empresas privadas, com financiamento público.

Essa é mais uma realidade que se esconde por trás da propaganda da política da Florestania implantada  no Acre: privatização das florestas em prol de grandes empresas madeireiras e a expulsão dos moradores da floresta para a periferia das cidades.



Paulo Wadt








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