Insegurança alimentar em crianças do Acre

Fábio Lepique, identificado em seu perfil do Twitter como assessor do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, recomendou ao Governador do Acre, Sebastião Viana, a leitura do artigo "Desnutrição em crianças menores de 60 meses em dois municípios no Estado do Acre: prevalência e fatores associados" (veja). O referido artigo científico foi publicado em março de 2012 na Revista Brasileira de Epidemiologia (veja).


Lepique havia indignado-se com o comentário feito pelo Governador Sebastião Viana acerca da greve dos metroviários em São Paulo e retrucou o governador com críticas a situação do Estado do Acre (veja).

A razoabilidade indica que seja pouco provável que o próprio governador tenha postado o comentário no Twitter sobre a greve dos metroviários. Possivelmente foi algum assessor da área de comunicação.

De qualquer forma, a crítica apontada por Lepique por meio do artigo científico da Revista Brasileira de Epidemiologia é preocupante.

O Blog Ambiente Acreano, em 23 de abril último (leia), já havia publicado uma análise sobre este mesmo artigo científico, sob o título "Estudo aponta alta desnutrição em crianças de Acrelândia e Assis Brasil".

Segundo o Blog Ambiente Acreano, crianças de menos de 5 anos de idade residentes no município de Acrelândia e de Assis Brasil apresentam alta deficiência nutricional. O déficit de crescimento, em relação à idade das crianças, é 40% superior à média brasileira, e o déficit de peso, para a estatura, é 108% superior ao índice nacional.

O que Lepique não deve entender é que a produção de alimentos e a geração de empregos nunca foi uma preocupação efetiva do governo da Florestania (que agora chamam de Governo do Povo do Acre).

Enquanto São Paulo, apesar de ser o estado mais industrializado da federação e não possuir clima e solos melhores que os do Acre, tem se preocupado em ter uma agricultura desenvolvida.


Deveríamos ter a melhor tecnologia agrícola, para que o uso dos recursos ambientais fosse feito de forma sustentável. Mas o que temos é ainda uma agricultura de subsistência.

Isto porque, segundo os mentores da política da Florestania, sempre foi preferível trazer alimentos de fora do que apoiar a produção local, mesmo que isto estivesse gerando empregos em outro local.

E a agricultura por aqui só é lembrada no marketing político. Nunca na hora de produzir alimentos para o povo do Acre.


Paulo Wadt

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Tempos aúreos?

O rei, o PIB e o salário mínimo