Florestania – no caminho do desenvolvimento sustentável?

Florestania foi um termo criado no início dos anos 1980 no Estado do Acre, Brasil, para promover o conceito da “cidadania” adaptado a floresta Amazônica. O conceito fundamentou-se na idéia de que o desenvolvimento humano, social e econômico depende da preservação dos recursos florestais naturais.

No Estado do Acre, o conceito de Florestania foi adotado pelo Partido dos Trabalhadores – PT, um partido político brasileiro, em suas campanhas publicitárias e ações políticas, usando o slogan “governo da floresta”, alcançando prestígio nacional e internacional.

Após as eleições de 2010, este conceito foi sendo abandonado pelo PT, desde que os benefícios previstos pela política de conservação ambiental não ajudaram a melhorar a qualidade de vida da população local. O novo slogan do PT é agora “governo do povo do Acre”, um esforço para manter-se no poder mesmo após a falha da política ambiental implementada nos últimos 14 anos.

Neste período, o crescimento econômico do Estado do Acre foi muito pequeno, com uma grande queda na produção agrícola de pequenos produtores ruais e fortalecimento das grandes áreas com produção de gado bovino e manejo florestal empresarial. Isto resultou em deterioração da distribuição de renda .

No Estado do Acre, a distribuição de pessoas pobres alcança 42,3% da população. No Estado do Rondônia, um estado da federação brasileira na mesma região Amazônica, houve um maior incentivo para o desenvolvimento da agricultura e a distribuição de pessoas pobres alcança 27% da população.

Um indicador para avaliar esta tendência é o coeficiente de Gini. O coeficiente de Gini mede a desigualdade de níveis de renda (ou de qualquer outro valor). O coeficiente de Gini de zero representa a máxima igualdade, quando todos os valores são iguais (por exemplo, quando qualquer pessoa tem exatamente a mesma renda). O coeficiente de Gini de 1 expressa a máxima desigualdade entre os valores (por exemplo, quando somente uma pessoa concentra toda a renda).

Atualmente, o coeficiente de Gini para distribuição de renda é 0,53 para o Estado do Acre e 0,46 para o Estado de Rondônia.

Ainda, o PIB per capita no Estado do Acre é somente 80% do PIB per capita do Estado de Rondônia. Portanto, após 14 anos de políticas de desenvolvimento diferenciadas, o desenvolvimento do Estado do Acre foi menor.

O problema do “governo da floresta” não foi causada pela proteção do meio ambiente. Esta não é questão.

O problema foi sua incapacidade de balancear a demanda entre as necessidades da agricultura e do meio ambiente. O pequeno produtor foi desprotegido e criminalizado por continuar adotando técnicas agrícolas obsoletas: não recebeu quantidades adequadas de crédito o assistência técnica.

No Estado do Acre, a miopia dos ambientalistas foi extrema, porque foi negado ao pequeno produtor  o desenvolvimento tecnológico ocorrido na agricultura brasileira nos últimos 30 anos.

No Brasil, com um aumento de somente 36% da área cultivada, produção a de grãos aumentou em 238%. No Estado do Acre, a a área desmatada quase que dobrou e a produção agrícola não evoluiu. A política ambiental somente ajudou aumentar a produção de carne bovina e o negócio florestal empresarial.

O “governo da floresta” promoveu a pior relação entre crescimento econômico e áreas desmatadas. O Estado do Acre pode seguir o exemplo do Brasil: produzir alimentos mais baratos com maior conservação ambiental.

A conclusão é que a política da Florestania não é um bom exemplo para o mundo.


(tradução livre do artigo “Florestania - on the road of sustainable development?”, disponível em www.paulo-wadt.blogspot.com.br)

Paulo Wadt

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