Eleições na UFAC (IV) - Catarina Costa

Existem vários motivos para escolher quem apoiar, o que pode ser por razões pessoais ou profissionais. Inclusive, devemos considerar o entendimento que pessoas ligadas a atual administração considere um ou outro dos demais candidatos como aquele mais adequado.



Também pode haver divergências entre as pessoas que apóiam um determinado candidato. Por exemplo, embora eu tenha declarado anteriormente que o professor Sebastião Elviro seja um exemplo de um profissional que além de produção científica tenha feito uma boa gestão à frente do mestrado de Agronomia, em muitas das reuniões em que participei com o professor Sebastião, quase sempre houve divergências entre nós.

Inclusive, uma dessas divergências já foram até mesmo objeto de processo judicial na Justiça Federal (ver Processo 2007.30.00.003565-8 no link http://processual.trf1.gov.br/consultaProcessual/numeroProcesso.php?secao=AC ).

Confesso que do ponto de vista pessoal nossa relação pessoal ficou desgastada, mas nem por isso devo desconsiderar que o trabalho dele à frente do mestrado tem sido importante. Também já reconheci pessoalmente para ele que estive equivocado em algumas posições, mas em outras, ainda mantenho minha convicção de estar certo e ele errado. Mas são divergências que tratamos com franqueza.

Como o conheço relativamente bem, posso também reportar que já assisti a várias discussões entre o professor Sebastião e a professora Margarida Lima quanto esta era Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, por terem visões distintas. Mesmo assim, ele apóia a professora Margarida nessas eleições. E espero que não seja por cargo, mas por convicção pessoal de ser a melhor opção para a Universidade.

Agora, também devo reconhecer que erramos muitas vezes na avaliação do caráter das pessoas. Nossos bisavós e seus antecessores conviviam muito tempo com as mesmas pessoas, em comunidades pequenas, e com o tempo iam adquirindo uma melhor percepção de seus relacionamentos profissionais e pessoais.

Por exemplo, pensando em um profissional como um padeiro: além de comprar o pão todo dia e vê-lo por detrás de um balcão, também era comum conviver com sua família, diretamente ou indiretamente por meio de um parente ou amigo comum. Então, a personalidade das pessoas eram  expostas com muito mais intensidade. Hoje, se vamos ao supermercado comprar um pão, provavelmente nem mesmo saberemos o rosto do padeiro, muito menos qualquer detalhe de sua vida pessoal ou profissional, a menos que saia em machete policial de um jornal local.

Atualmente, somente conhecemos pequenos aspectos das vida das pessoas e precisamos definir sobre apoiar ou trabalhar com alguém sem muita informação.

Isto é algo difícil para todos nós, mesmo para quem já conviveu com várias pessoas da atual administração da UFAC e das administrações anteriores.

Portanto, Catarina, não poderei lhe atender em seu pedido, ainda mais porque as nomeações serão apenas após as eleições e muita coisa pode mudar até lá. Mas lembre-se de uma coisa: os pró-reitores são indicação da reitoria, e portanto, se houver qualquer problema na administração nenhum reitor(a) poderá alegar que não tem responsabilidade, pois são cargos indicados. Já os diretores, são cargos eletivos e não há tanta responsabilidade da reitoria.

Assim, qualquer que seja nossa escolha, devemos estar cientes de que o fazemos frente a determinados posicionamentos que depois deverão ser cobrados por nós. Pois essa é a essência dos processos democráticos.

Paulo Wadt


Nota: texto redigido em resposta a um comentário em postagem anterior.

Comentários

  1. A meu ver, não informar quem serão os pró-reitores, é uma maneira coerente de agir, visto que a promessa de cargos a um ou outro, por vezes pode ocasionar a debandada de determinado grupo de pessoas na direção do candidato... talvez, não por pensar que os cargos serão ocupados por um gestor mais adequado, ou que melhor representa a instituição, mas sim, por serem beneficiados pessoalmente (de forma direta ou indireta) com o compromisso feito. Isso acaba engessando a administração maior representada pela reitoria, não permitindo a colocação nos cargos de pessoas que fizeram por merecer, em prol de promessas feitas em campanha. Não que isso esteja ocorrendo, mas creio ser uma forma cautelosa que os candidatos tem de fazerem suas campanhas. PS: Isso expressa apenas um ponto de vista, não necessariamente uma realidade. Nem estou dizendo que os candidatos fariam "conchavos" para ganhar a eleição, como eu disse, isso expressa unicamente minha opinião.

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