Eleições para Reitor na UFAC (II) - Credenciamento para a pesquisa
Existe aqui no Estado do Acre um entendimento de que o administrador de uma instituição de pesquisa ou de uma universidade não necessite ter o compromisso de continuar sua próprias atividades profissionais de pesquisa para que a instituição seja bem administrada. Acredito ser este um equívoco que apenas resulta no empobrecimento institucional.
Atualmente, no Brasil e em muitos outros países, parte considerável da produção científica e do desenvolvimento tecnológico decorre da atuação dos programas de pós-graduação. A qualidade e competitividade desses programas de pós-graduação somente tem sido alcançada com um grupo de profissionais com largo convívio em pesquisa. No Brasil, os melhores programas de pós-graduação são aqueles que possuem à frente de sua administração, também os profissionais mais competitivos e produtivos do ponto de vista da produção científica.
Não precisamos ir longe no exemplo. Aqui mesmo na UFAC, o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Agronomia (criado em 2005 e que teve a primeira aula inaugural em março de 2006) é bolsista produtividade do CNPq: ou seja, o coordenador possui uma alto desempenho em suas pesquisas, além de atuar em atividades administrativas e de ensino na graduação.
Mas prefiro outros exemplos, como a Dra.Johanna Döbereiner, que em vida, foi a sétima cientista brasileira mais citada pela comunidade científica mundial e a primeira entre as mulheres. Reconhecida internacionalmente pelo seu trabalho com fixação biológica do nitrogênio. Somente esssa linha de pesquisa fez com que a produção de soja no Brasil seja hoje a mais competitiva do mundo, além de possibilitar que milhões de pessoas tenham acesso a alimentos mais baratos e saudáveis, o que lhe valeu inclusive a indicação ao Nobel de Química em 1997.
Entretanto, não se destacou apenas no nível científico. A Dra. Johanna foi a principal liderança administrativa para o desenvolvimento do Centro Nacional de Pesquisa de Agrobiologia da Embrapa, hoje reconhecido como um dos principais centros de pesquisa do mundo em agrobiologia. Ela não apenas ajudou a formar os principais pesquisadores do centro, como também estabeleceu seu padrão de atuação na busca da excelência em pesquisa tecnológica.
Podemos citar outros exemplos do passado, como Vidal Brasil, Carlos Chagas e outros renomados cientístas nacionais que também tiveram uma árdua tarefa administrativa.
Mas o que quero tratar aqui é sobre a eleição para a reitoria da UFAC. Considerando que a produção do conhecimento na universidade passa pelo ensino, pesquisa e extensão, vou tratar aqui da questão da pesquisa.
E para isto, inicio com uma provocação dentro da hipótese de que não seria possível para a UFAC alcançar excelência em pesquisa científica se seus administradores não tiverem o hábito da atuação científica.
Imaginando que os candidatos que estão concorrendo para a reitoria deveriam se credenciar também para atuar na pós-graduação da UFAC, primeiro precisamos avaliar o curriculum científico dos candidatos (a reitor e vice-reitor), o que deve ser feita (no Brasil) consultando a Plataforma Lattes, do CNPq.
Verificando a produção científica dos candidatos à reitoria da UFAC, temos o seguinte quadro*:
Chapa Jonas Pereira de Souza Filho (ver) / José Ronaldo Melo (ver).
Produção acumulada da sete artigos científicos e dois livros (sendo um, ainda no prelo - sem paginação). O candidato a reitor possui cinco argitos e está a dezonove anos sem publicar.
Chapa Margarida Lima Carvalho (ver) / Sílvio Simione da Silva (ver).
Produção acumulada de 29 artigos científicos, cinco livros e 14 capitulos de livro.A candidata a reitora possui cinco artigos e está há dez anos sem publicar.
Chapa Olinda Batista Assmar (ver) e Francisco Carlos da Silveira Cavalcante (Francisco Carlos da Silveira Cavalcanti - nome que consta na base Lattes do CNPq - ver).
Produção acumulada de seis a sete artigos científicos (uma das produções citadas no Lattes não parecer ser artigo científico**) e 11 livros. A candidata a reitora possui seis artigos e está há oito anos sem publicar.
Chapa Minoru Martins Kinpara (Minoru Martins Kimpara - nome que consta na base Lattes do CNPq - ver) e Margarida de Aquino Cunha (ver).
Produção acumulada de sete artigos científicos, quatro livros e um capitulo de livro. O candidato a reitor possui apenas uma publicação, que foi feita em 2008.
Com esta produção, se qualquer uma dessas duplas fossem pedir credenciamento como professor docente de programas de pós-graduação, a grande maioria teria pouca chance de ser credenciada*** (se forem observados os critérios mínimos indicados pela CAPES para programas de pós-graduação de nota 3 - mínimo para o credenciamento de um curso de mestrado).
A chapa com maiores chances de obter um credenciamento seria a chapa da professora Margarida Lima Carvalho e do professor Sílvio Simione da Silva, ainda assim, com a ressalva que a maior produção científica da chapa estar ligada ao professor Sílvio Simione da Silva. A professora Margarida Lima, possui entretanto, um diferencial que não pode ser ignorado: é consultora da CAPES e da FINEP e trabalhou arduamente como Coordenadora do Fórum Norte de Pró-Reitores de Pesquisa e Pós-Graduação, conduzindo a elaboração e implantação do Programa Acelera Amazônia.
Não parece ser possível que candidatos que não tenham vivenciado os entraves da pesquisa na UFAC, as dificuldades nos processos licitatórios, a falta de transparência ou critérios técnicos para a distribuição de demandas de projetos científicos, possam ter a visão necessária para elevar o patamar da UFAC nesta área ainda tão carente.
Por exemplo, não se pode mais tolerar que a administração superior da universidade altere a seu bel-prazer projetos de pesquisa, como ocorreu com o projeto de infraestrutura laboratorial que foi submetido à FINEP na atual administração (professora Olinda Batista Assmar) e que tinha sido elaborado por professores do campus Floresta de Cruzeiro do Sul, cujas alterações foram feitas apenas para beneficiar determinados professores de um círculo de amizades, ignorando as demandas daqueles que tiveram o esforço de elaborar o projeto, de apresentar a justificativa científica, de estabelecer os objetivos, as metas e os resultados a serem alcançados.
Um administrador que entende de pesquisa, saberia o óbvio: equipamentos novos e caros não escrevem artigos científicos (papers); quem os escreve são os alunos da pós-graduação e aqueles professores que labutam nos laboratórios e nos campos experimentais com as mínimas condições de trabalho. E são esses que deveriam ser atendidos, não os amigos. Porque se atender a esses que realmente trabalham, todos serão beneficiados com o crescimento da universidade.
O resultado disso são equipamentos caríssimos sendo adquiridos e que acabam encaixotados por vários anos nos laboratórios da universidade, porque, não se prestam para atender ao grupo que elaborou a proposta, nem aqueles novos beneficiários possuem recursos científicos para utilizar os tais equipamentos.
Podemos chamar isto de má gestão, ou falta de transparência nos processos. O nome que se quizer dar. Mas isto é fruto de uma filosofia administrativa que precisa mudar na UFAC, e da qual faz parte a maioria dos candidatos à reitoria. Por exemplo, o professor Minoru apresenta em seu próprio site de campanha s funções que exerceu junto a atual administração: Diretor de Apoio ao Desenvolvimento de Ensino (2008-2010). Diretor de Cursos e Programas Especiais de Graduação (2010-2011) e Diretor do Núcleo Interiorização e Educação a Distância (2010-2011) (ver).
Seu desconhecimento das demandas da pesquisa científica é tanto que eu seu plano de trabalho chega a propor "incentivo à criação de revistas impressas e eletrônicas em diferentes áreas de conhecimento" (item 3.2 Pesquisa - ver). Se fosse no item extensão universitária, até faria sentido. Isso porque não sabe que hoje, para uma revista científica ter reconhecimento, é necessário que atinja um fator de impacto (suas publicações serem citadas por outros pesquisadores). Assim, se a meta fosse que a UFAC tivesse uma única revista bem classificada no Qualis da CAPES já seria um avanço dificil de ser obtido.
Também, quando nas diretorias que atuou na atual administração, e sendo procurado por coordenador de curso da pós-graduação e tendo a oportunidade de INOVAR, ao estabelecer um sistema de registro e controle dos alunos da pós-graduação, negou-se a ter qualquer medida para ajudar no processo.
Não inovou onde teve a oportunidade de inovar. Lembro que a capacidade de colaborar com a UFAC não é possível de ser feita apenas quando se está como reitor ou vice-reitor. Pode ser feita no dia-a-dia, dentro de cada uma das funções que assumimos na instituição. Porque, se não faz as pequenas coisas, muito menos se farão as grandes medidas que exigem compromisso e determinação.
O professor Jonas Pereira de Souza Filho também participou da atual administração. Por exemplo, foi nomeado em 2 de março de 2011 para a função de Diretor do Museu Universitário, com o adicional de remuneração CD-004 (ver). Além de engordar o contra-cheque, o que efetivamente foi feito por este tão experiente administrador em prol do Museu da UFAC?
Nessas eleições, qualquer que seja o resultado diferente da escolha da professora Margarida Lima, os outros três continuarão participando da futura administração, ou na reitoria ou em algum cargo comissionado. Porque, embora procurem esconder, já faziam parte da atual administração e continuarão a fazer se qualquer deles for eleito. No fundo, deveriam estar no mesmo barco, justificando o que tem feito pela UFAC.
E você, aluno, que está querendo um ensino de qualidade e a oportunidade de uma carreira de alto nível, não se iluda: a maioria desses candidatos está mesmo é procurando cargos comissionados, e muitos de seus apoiadores, o fazem em troca desses cargos, e não por compromisso com a função social da universidade.
A professora Margarida Lima participou da gestão do professor Jonas Pereira de Souza Filho. E não precisamos ter dúvidas de que ela pode ter cometido erros e decisões equivocadas. Mas se hoje a UFAC possui algo de bom na pós-graduação, isso foi possível com a colaboração de sua administração à frente da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação. Principalmente, hoje está muito mais preparada e com muito mais condições de responder as necessidades de crescimento da UFAC. Pelo menos, sua proposta de trabalho inclui um dos pontos chaves para o desenvolvimento da pesquisa científica em qualquer lugar do mundo, e não seria diferente aqui na UFAC: "aumentar o número de convênios de cooperação científica
... oferecendo a comunidade científica instrumentos de apoio a projetos de pesquisa e possibilidades de intercâmbio entre instituições, pesquisadores e alunos".
Entretanto, uma vez estabelecido os compromissos no plano de trabalho, caberá à comunidade universitária colaborar e cobrar pelas metas estabelecidas no período eleitoral.
Paulo Wadt
Notas:
* a consulta ao Curriculum dos Candidatos foi feita na Base Lattes do CNPq realizada em 10 de julho de 2012. Não foi considerado o Qualis CAPES das publicações (artigos científicos) ou o nível de impacto dos livros e capitulos de livros citados nos curriculos.
** CAVALCANTI, Francisco Carlos da Silveira ; REYDON, Bastiaan Philip . As reservas extrativistas como mecanismo de regulação fundiaria e desenvolvimento sustentável local.. Cd Regulação Estatal e Auto Regulação Empresarial, Campinas - SP, 2003.
*** espero que a indignação não seja confundida com falta de educação ou despespeito pessoal aos candidatos.
Atualmente, no Brasil e em muitos outros países, parte considerável da produção científica e do desenvolvimento tecnológico decorre da atuação dos programas de pós-graduação. A qualidade e competitividade desses programas de pós-graduação somente tem sido alcançada com um grupo de profissionais com largo convívio em pesquisa. No Brasil, os melhores programas de pós-graduação são aqueles que possuem à frente de sua administração, também os profissionais mais competitivos e produtivos do ponto de vista da produção científica.
Não precisamos ir longe no exemplo. Aqui mesmo na UFAC, o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Agronomia (criado em 2005 e que teve a primeira aula inaugural em março de 2006) é bolsista produtividade do CNPq: ou seja, o coordenador possui uma alto desempenho em suas pesquisas, além de atuar em atividades administrativas e de ensino na graduação.
Mas prefiro outros exemplos, como a Dra.Johanna Döbereiner, que em vida, foi a sétima cientista brasileira mais citada pela comunidade científica mundial e a primeira entre as mulheres. Reconhecida internacionalmente pelo seu trabalho com fixação biológica do nitrogênio. Somente esssa linha de pesquisa fez com que a produção de soja no Brasil seja hoje a mais competitiva do mundo, além de possibilitar que milhões de pessoas tenham acesso a alimentos mais baratos e saudáveis, o que lhe valeu inclusive a indicação ao Nobel de Química em 1997.
Entretanto, não se destacou apenas no nível científico. A Dra. Johanna foi a principal liderança administrativa para o desenvolvimento do Centro Nacional de Pesquisa de Agrobiologia da Embrapa, hoje reconhecido como um dos principais centros de pesquisa do mundo em agrobiologia. Ela não apenas ajudou a formar os principais pesquisadores do centro, como também estabeleceu seu padrão de atuação na busca da excelência em pesquisa tecnológica.
Podemos citar outros exemplos do passado, como Vidal Brasil, Carlos Chagas e outros renomados cientístas nacionais que também tiveram uma árdua tarefa administrativa.
Mas o que quero tratar aqui é sobre a eleição para a reitoria da UFAC. Considerando que a produção do conhecimento na universidade passa pelo ensino, pesquisa e extensão, vou tratar aqui da questão da pesquisa.
E para isto, inicio com uma provocação dentro da hipótese de que não seria possível para a UFAC alcançar excelência em pesquisa científica se seus administradores não tiverem o hábito da atuação científica.
Imaginando que os candidatos que estão concorrendo para a reitoria deveriam se credenciar também para atuar na pós-graduação da UFAC, primeiro precisamos avaliar o curriculum científico dos candidatos (a reitor e vice-reitor), o que deve ser feita (no Brasil) consultando a Plataforma Lattes, do CNPq.
Verificando a produção científica dos candidatos à reitoria da UFAC, temos o seguinte quadro*:
Chapa Jonas Pereira de Souza Filho (ver) / José Ronaldo Melo (ver).
Produção acumulada da sete artigos científicos e dois livros (sendo um, ainda no prelo - sem paginação). O candidato a reitor possui cinco argitos e está a dezonove anos sem publicar.
Chapa Margarida Lima Carvalho (ver) / Sílvio Simione da Silva (ver).
Produção acumulada de 29 artigos científicos, cinco livros e 14 capitulos de livro.A candidata a reitora possui cinco artigos e está há dez anos sem publicar.
Chapa Olinda Batista Assmar (ver) e Francisco Carlos da Silveira Cavalcante (Francisco Carlos da Silveira Cavalcanti - nome que consta na base Lattes do CNPq - ver).
Produção acumulada de seis a sete artigos científicos (uma das produções citadas no Lattes não parecer ser artigo científico**) e 11 livros. A candidata a reitora possui seis artigos e está há oito anos sem publicar.
Chapa Minoru Martins Kinpara (Minoru Martins Kimpara - nome que consta na base Lattes do CNPq - ver) e Margarida de Aquino Cunha (ver).
Produção acumulada de sete artigos científicos, quatro livros e um capitulo de livro. O candidato a reitor possui apenas uma publicação, que foi feita em 2008.
Com esta produção, se qualquer uma dessas duplas fossem pedir credenciamento como professor docente de programas de pós-graduação, a grande maioria teria pouca chance de ser credenciada*** (se forem observados os critérios mínimos indicados pela CAPES para programas de pós-graduação de nota 3 - mínimo para o credenciamento de um curso de mestrado).
A chapa com maiores chances de obter um credenciamento seria a chapa da professora Margarida Lima Carvalho e do professor Sílvio Simione da Silva, ainda assim, com a ressalva que a maior produção científica da chapa estar ligada ao professor Sílvio Simione da Silva. A professora Margarida Lima, possui entretanto, um diferencial que não pode ser ignorado: é consultora da CAPES e da FINEP e trabalhou arduamente como Coordenadora do Fórum Norte de Pró-Reitores de Pesquisa e Pós-Graduação, conduzindo a elaboração e implantação do Programa Acelera Amazônia.
Não parece ser possível que candidatos que não tenham vivenciado os entraves da pesquisa na UFAC, as dificuldades nos processos licitatórios, a falta de transparência ou critérios técnicos para a distribuição de demandas de projetos científicos, possam ter a visão necessária para elevar o patamar da UFAC nesta área ainda tão carente.
Por exemplo, não se pode mais tolerar que a administração superior da universidade altere a seu bel-prazer projetos de pesquisa, como ocorreu com o projeto de infraestrutura laboratorial que foi submetido à FINEP na atual administração (professora Olinda Batista Assmar) e que tinha sido elaborado por professores do campus Floresta de Cruzeiro do Sul, cujas alterações foram feitas apenas para beneficiar determinados professores de um círculo de amizades, ignorando as demandas daqueles que tiveram o esforço de elaborar o projeto, de apresentar a justificativa científica, de estabelecer os objetivos, as metas e os resultados a serem alcançados.
Um administrador que entende de pesquisa, saberia o óbvio: equipamentos novos e caros não escrevem artigos científicos (papers); quem os escreve são os alunos da pós-graduação e aqueles professores que labutam nos laboratórios e nos campos experimentais com as mínimas condições de trabalho. E são esses que deveriam ser atendidos, não os amigos. Porque se atender a esses que realmente trabalham, todos serão beneficiados com o crescimento da universidade.
O resultado disso são equipamentos caríssimos sendo adquiridos e que acabam encaixotados por vários anos nos laboratórios da universidade, porque, não se prestam para atender ao grupo que elaborou a proposta, nem aqueles novos beneficiários possuem recursos científicos para utilizar os tais equipamentos.
Podemos chamar isto de má gestão, ou falta de transparência nos processos. O nome que se quizer dar. Mas isto é fruto de uma filosofia administrativa que precisa mudar na UFAC, e da qual faz parte a maioria dos candidatos à reitoria. Por exemplo, o professor Minoru apresenta em seu próprio site de campanha s funções que exerceu junto a atual administração: Diretor de Apoio ao Desenvolvimento de Ensino (2008-2010). Diretor de Cursos e Programas Especiais de Graduação (2010-2011) e Diretor do Núcleo Interiorização e Educação a Distância (2010-2011) (ver).
Seu desconhecimento das demandas da pesquisa científica é tanto que eu seu plano de trabalho chega a propor "incentivo à criação de revistas impressas e eletrônicas em diferentes áreas de conhecimento" (item 3.2 Pesquisa - ver). Se fosse no item extensão universitária, até faria sentido. Isso porque não sabe que hoje, para uma revista científica ter reconhecimento, é necessário que atinja um fator de impacto (suas publicações serem citadas por outros pesquisadores). Assim, se a meta fosse que a UFAC tivesse uma única revista bem classificada no Qualis da CAPES já seria um avanço dificil de ser obtido.
Também, quando nas diretorias que atuou na atual administração, e sendo procurado por coordenador de curso da pós-graduação e tendo a oportunidade de INOVAR, ao estabelecer um sistema de registro e controle dos alunos da pós-graduação, negou-se a ter qualquer medida para ajudar no processo.
Não inovou onde teve a oportunidade de inovar. Lembro que a capacidade de colaborar com a UFAC não é possível de ser feita apenas quando se está como reitor ou vice-reitor. Pode ser feita no dia-a-dia, dentro de cada uma das funções que assumimos na instituição. Porque, se não faz as pequenas coisas, muito menos se farão as grandes medidas que exigem compromisso e determinação.
O professor Jonas Pereira de Souza Filho também participou da atual administração. Por exemplo, foi nomeado em 2 de março de 2011 para a função de Diretor do Museu Universitário, com o adicional de remuneração CD-004 (ver). Além de engordar o contra-cheque, o que efetivamente foi feito por este tão experiente administrador em prol do Museu da UFAC?
Nessas eleições, qualquer que seja o resultado diferente da escolha da professora Margarida Lima, os outros três continuarão participando da futura administração, ou na reitoria ou em algum cargo comissionado. Porque, embora procurem esconder, já faziam parte da atual administração e continuarão a fazer se qualquer deles for eleito. No fundo, deveriam estar no mesmo barco, justificando o que tem feito pela UFAC.
E você, aluno, que está querendo um ensino de qualidade e a oportunidade de uma carreira de alto nível, não se iluda: a maioria desses candidatos está mesmo é procurando cargos comissionados, e muitos de seus apoiadores, o fazem em troca desses cargos, e não por compromisso com a função social da universidade.
A professora Margarida Lima participou da gestão do professor Jonas Pereira de Souza Filho. E não precisamos ter dúvidas de que ela pode ter cometido erros e decisões equivocadas. Mas se hoje a UFAC possui algo de bom na pós-graduação, isso foi possível com a colaboração de sua administração à frente da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação. Principalmente, hoje está muito mais preparada e com muito mais condições de responder as necessidades de crescimento da UFAC. Pelo menos, sua proposta de trabalho inclui um dos pontos chaves para o desenvolvimento da pesquisa científica em qualquer lugar do mundo, e não seria diferente aqui na UFAC: "aumentar o número de convênios de cooperação científica
... oferecendo a comunidade científica instrumentos de apoio a projetos de pesquisa e possibilidades de intercâmbio entre instituições, pesquisadores e alunos".
Entretanto, uma vez estabelecido os compromissos no plano de trabalho, caberá à comunidade universitária colaborar e cobrar pelas metas estabelecidas no período eleitoral.
Paulo Wadt
Notas:
* a consulta ao Curriculum dos Candidatos foi feita na Base Lattes do CNPq realizada em 10 de julho de 2012. Não foi considerado o Qualis CAPES das publicações (artigos científicos) ou o nível de impacto dos livros e capitulos de livros citados nos curriculos.
** CAVALCANTI, Francisco Carlos da Silveira ; REYDON, Bastiaan Philip . As reservas extrativistas como mecanismo de regulação fundiaria e desenvolvimento sustentável local.. Cd Regulação Estatal e Auto Regulação Empresarial, Campinas - SP, 2003.
*** espero que a indignação não seja confundida com falta de educação ou despespeito pessoal aos candidatos.
Comentário reproduzido do facebook (https://www.facebook.com/ufac.si.7/posts/177034299096949?notif_t=mentions_comment) e postado por Marcelo Melo, em que são apresentadas importantes críticas ao debate:
ResponderExcluirMeu caro Paulo li seu texto e realemente você foi muito competente em defende a candidatura da profa. Margarida ao Reitorado 2012-2016. No entanto, você fica muito distante do que é ser uma Gestão de Universidade e muito além do que é ser uma Gestão comprometida com a autonomia universitáia. Se você pensar a Gestão da Profa. Margarida na Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação você tem que pensar na Gestão do Prof. Jonas Filho como uma Gestão democrática e participativa. Veja os números, as estatísticas e tudo o que o Prof. Jonas realizou na Gestão. A Profa Margarida é muito simpática e é um dos nomes favorecidos para concorrer ao Reitorado, por conta da descentralização implantada na Reitoria pelo Prof. Jonas, mas quando nós aqui da UFAC temos ainda a oportunidade de ter o Prof. Jonas como candidato, meu amigo estude os números e vou lhe dar um exemplo: Novo campus de Cruzeiro do Sul de 03 cursos para 12 - Jonas Filho, Programas de Extensão de 01 para 14 - Jonas Filho, duplicação dos cursos de graduação da ufac como: medicina. física, química, artes cênicas, música, engenharia florestal, jornalismo, filosofia, saúde coletiva, nutrição. Medicina Veterinária etc.... Cursos de pós-graduação a nível de mestrado que só existia 01 passaram a ser 05 ä época. A cultura nunca antes foi representada como a criação do museu e do fortalecimento dos festivais da canção. Reflita paulo. Estou deixando aqui meu comentário porque sou alguém que convivi com todas estas questões, e, não existe alguém que emprestou seu cpf para defender a autonomia da UFAC como o prof. Jonas. Por isto Jonas 03 e Ronaldo 33. Pública, autônoma e democrática.
Ao comentarista do FB: Números não são determinantes de qualidade e bom andamento das políticas. Faltam recursos humanos, estrutura, condições de apoio para a docência e pesquisa na maior parte dos cursos criados em Cruzeiro do Sul... etc etc etc
ExcluirO que estraga seu texto é sua torcida exarcebada por uma candidatura e o pouco conhecimento que o senhor tem de uma administração verdadeiramente compartilhada. A UFAC não é uma empresa privada cuja produção científica possa esta voltada para os interesses empresariais. A produção cinetifica de uma instituição pública, financiada pelo poder público, deve ter como referência os interesses mais nobres da sociedade. O senhor que não sei de onde saiu e o que faz na UFAC deveria saber também que são afazeres docente o Ensino e a Extensão, além da Pesquisa. `Deveria saber também que dependendo da área do conhecimento ao qual o professor esteja vinculado não se deve utilizar os mesmos critérios para comparar produção ciêntifica e inferir quem produziu mais que outro. Em matemática, por exemplo, existem pessoas que se notabilizaram por ter apenas uma publicação. Conheço um bando de pesquisadores que tem seus curriculos bastantes volumosos mas que não tem capacidade nem mesmo de dirigir um carro. Penso que a produção científica é algo extremamente importante numa Instituição como a UFAC, contudo não é a única credencial para uma pessoa se tornar um bom administrador.
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